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Demolição de casa de Caio Fernando Abreu é materialização do descaso com a memória

Na terça-feira, ativistas, artistas e leitores se movimentaram para tentar barrar a demolição de um sobrado na rua Doutor Oscar Bittencourt, no bairro Menino Deus, em Porto Alegre. A derrubada estava agendada para o dia 19/7 mas no local o grupo teve uma surpresa: a casa já estava no chão. 

Esta não foi a primeira tentativa de resgatar o histórico imóvel onde o escritor brasileiro Caio Fernando Abreu viveu. Em 2010, a Associação Amigos do Caio Fernando Abreu (AACF) queria que o local abrigasse um centro cultural, mas a casa foi leiloada antes que o projeto fosse totalmente desenhado e aprovado pela prefeitura. 

A AACF entrou com uma ação popular assim que a casa foi leiloada, para tentar impedir a demolição e oficializar a importância histórica do imóvel, mas foi atropelada pelo interesse mobiliário e descaso do poder público com a memória de uma figura importante para a luta contra a ditadura, para o movimento LGBTQIAP+ e das pessoas que vivem com HIV e AIDS.

Para o jornal Sul21, o engenheiro que coordenou a derrubada da casa disse que não sabia que ali tinha morado uma figura histórica e nem contou os planos que os novos donos do terreno tem para o espaço.

Caio Fernando Abreu nasceu em 1948 no Rio Grande do Sul. Durante a vida adulta, o jornalista e escritor morou em São Paulo e escreveu para diversas revistas e jornais. Foi amigo de grandes nomes da literatura como Hilda Hilst, e foi na casa da amiga que se refugiou no período em que foi perseguido pela ditadura militar brasileira.

O autor de “Morangos Mofados” e “Pequenas Epifanias” morreu em 25 de fevereiro de 1996, na antiga casa do bairro Menino Deus, em decorrência da AIDS.

Foto de capa: @caiofentrenos / Reprodução / Instragram

Taubateana e Jornalista.

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